Quinta-feira, Outubro 28, 2004
Para entender, perdoar, condenar, odiar ou amar a GULA
Para Francine Prose, autora do livro Gula, glutão é uma palavra fora de moda. Acho que ela tem razão. Faz muito tempo que não ouço ninguém falar. As pessoas dizem "gosto de comer", "adoro comida", mas ninguém se confessa glutão. Aliás, confessar-se glutão lembra pecado. Alguém aí ainda confessa, no sentido religioso da palavra? Se existir alguém que ainda conta seus pecados ao padre, terá que se lembrar de incluir no meio deles o pecado da gula, se o cometer.
Pra quem não se lembra, a gula faz parte da lista dos sete pecados capitais. Ih, diriam alguns, mas essa coisa de pecado tá tão fora de moda! (De novo a moda...)
Mas então eu pergunto: se o pecado da gula está fora de moda, por que continuamos a nos condenar a cada vez que comemos um pedacinho de bolo a mais ou repetimos aquele prato delicioso ou, ainda, quando engordamos aqueles execráveis 300 gramas???
Para Prose, a gula não deixou de ser pecado, só mudou de tipo. Explico: o que antes era pecado religioso, agora virou pecado estético. Na Idade Média, o homem se preocupava com seu destino depois da morte - quanto mais pecados (olha aí a gula, a luxúria etc.), maior a chance de queimar no inferno. Atualmente, não se preocupa mais com o que vem depois da morte, mas com a morte em si. Logo, quanto mais se come, antes se morre. Tem até gente que defende que a frugalidade é o segredo de uma vida longeva. Mas quem quer ser frugal? Qual pecador quer deixar de pecar pra viver mais? Você deixaria de transar se soubesse que iria viver 2 anos a mais? E de comer o terceiro quadradinho de chocolate?
Deixar de ser guloso é uma imposição na nossa sociedade. Mas você não acha estranho que essa imposição ande lado a lado com uma oferta de comida cada vez maior? Restaurantes se multiplicam, gastronomia é a palavra da moda (moda, moda, moda...), as dietas pregam suas fórmulas milagrosas - há comida em todo canto.
Ufa! A gula, parece, foi eleita o pecado do momento. Mas, peraí. Eu não tinha dito que essa coisa de pecado estava fora de moda?
Por isso, eu o aconselho: não acredite em tudo o que lá e não deixe de provar o que lhe oferecem, mesmo que pareça muito pecaminoso.
Fontes de inspiração:
A COMILANÇA (La Grande Bouffe)
Gênero: Comédia/Drama
País de origem: França/Itália
Ano de lançamento: 1973
Direção: Marco Ferreri
Roteiro: Rafael Azcone e Marco Ferreri
Sinopse
A Comilança é a obra-prima do mestre Marco Ferreri (Crônica do Amor Louco), um dos mais polêmicos diretores italianos. Devido ao seu conteúdo provocativo, o filme foi proibido em diversos países, tornando-se motivo de culto entre os cinéfilos de todo o mundo. Cansados da vida, quatro senhores (interpretados magistralmente pelos astros Marcello Mastroianni, Ugo Tognazzi, Michel Piccoli e Philippe Noiret) se trancam numa mansão para passar o fim de semana. Lá, entre pratos e prostitutas, irão comer até a morte. Vencedora do Prêmio da Crítica Internacional no Festival de Cinema de Cannes, esta fábula de humor negro é simplesmente chocante e essencial. Sem dúvida, um dos grandes filmes do cinema mundial nos anos 70.
(Comentário do blog: bizarro e excelente.)
Fonte: 2001 Vídeo
GULA
Em Gula, da Coleção Sete Pecados Capitais, Francine Prose serve um maravilhoso banquete de espirituosas e cativantes observações sobre esse que é um dos mais deliciosos pecados capitais. Ela descreve como nossas noções sobre o tema evoluíram, de pecado nos tempos medievais para doença na atualidade - são os horrores do colesterol e os perigos da carne vermelha que tanto satanizamos. De fato, a visão moderna da gula é a de que comemos demais em função da compulsão, da autodestruição ou para evitar a intimidade e o contato social. Mas a gula, relembra Prose, é também uma afirmação do prazer e da paixão. Arx Editora.
(Comentário do blog: fundamental.)
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Segunda-feira, Outubro 25, 2004
Uma refeição à slow food, por favor
Não há dúvidas de que o fast food tem suas vantagens, como ganho de tempo e de dinheiro, mas também é impossível negar seus inconvenientes. O sabor e os ingredientes são padronizados, e, acima de tudo, o hábito de comer tudo pronto nos tira todo o prazer de esperar o tempo de cozimento, de descobrir os bons ingredientes, de saborear uma riqueza de sabores que nem se imagina mais, sobretudo no caso das crianças, acostumadas à hegemonia do bife/hambúrguer e da batata frita.
Gastronomia é uma palavra que chega a dar medo quando não se conhece grande coisa sobre culinária. Mas é só uma questão de educação do bom gosto, literalmente. Essa é a visão de alimentação defendida pelo Movimento Slow Food.
Criado no fim dos anos 80, na Itália, o Movimento Slow Food reivindica a arte do bem comer e a preservação dos ingredientes típicos de cada região do mundo. Até agora, 80.000 membros fazem parte desse grupo ecologista, mas apolítico. Se eles votam, é para dar voz ao ragusano, um queijo de leite cru da província italiana de Ragusa, ao pez blanco, um peixe branco do lago Patzcuaro, no México, ou, ainda, para dar voz ao mel de Anzer, na Grécia.
Mas por quê? Porque todos esses produtos estão em via de extinção, como centenas de outros que o Slow Food tenta preservar por meio da "Arca do Sabor" (como Noé fez com os animais!). Como? Fazendo propaganda para ajudar os produtores a sobreviverem, mas, principalmente, organizando cursos de educação do paladar e de descoberta de ingredientes. "Não se trata de formar intelectuais da gastronomia", explica Carlo Petrini, co-fundador do movimento, "mas somente de se questionar sobre o que se come e de se conscientizar de que há um risco real para a biodiversidade quando a grande indústria passa a dominar o supermercado".
Como praticar o Slow Food no cotidiano?
Não é sempre que temos tempo, energia ou competência de nos aventurar na cozinha. Também não se trata de banir o fast food, diz Carlo Petrini, mas de fazer um pequeno esforço para reeducarmos nossas sensações, "sentir o aroma do vinho ou da comida, porque o olfato é o mais sofisticado dos nossos sentidos e o mais fortemente ligado às emoções; ou seja, tornar um pouco mais poética a alimentação!". E a filosofia do Slow Food é, antes de tudo, a do sentar-se à mesa, tranqüilamente, batendo um papo com os amigos. E isso está ao alcance de todos, sem esforço.
Gostou da idéia? Então visite os caras AQUI!
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Sexta-feira, Outubro 15, 2004
Olá! Aí vai uma receitinha alternativa de creme de leite que fica ótima! Podem fazer, é garantido! Saiu numa revista de receitas de baixo colesterol, com respaldo do Incor.
Creme de leite alternativo e light
300g de ricota
100ml de leite desnatado
2 colheres (sopa) de leite em pó desnatado
Bata tudo no liquidificador por 5 minutos. (Nossa, é tão fácil que chega a dar pena!)
Atenção: a ricota varia de consistência. Se for muito seca, ponha um pouquinho (mesmo) de leite a mais, caso não esteja batendo.
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Quinta-feira, Outubro 14, 2004
Maravilhas marroquinas
Pra quem não conhece ainda, vale a pena experimentar o couscous de origem marroquina, na verdade uma sêmola preparada a partir do grão de trigo, que nada tem a ver com o cuscuz brasileiro. A marca mais tradicional (e, creio, a primeira a chegar no Brasil) é a Ferrero. Mas há também outras tão boas quanto, encontradas em casas de artigos árabes ou bons supermercados, na seção de importados.
TAJINE DE CORDEIRO COM FIGOS E AMÊNDOAS
(4 pessoas)
400g de couscous
1 kg de pernil de cordeiro desossado
12 figos frescos
2 cebolas pequenas (ou 1 bem grande)
2 colheres (sopa) de mel
50g de manteiga
½ colher (chá) de curry
1 colher (chá) de canela em pó
1 colher (chá) de gengibre em pó
1 pitada de açafrão
125g de amêndoas sem pele
½ maço de coentro
Sal, pimenta
Corte a carne em cubos grandes. Derreta a manteiga numa panela e refogue a carne. Quando estiver bem dourada, junte as especiarias (menos o açafrão), as cebolas picadas e 1 colher (sopa) de mel. Salgue e apimente. Refogue por 2 a 3 minutos, mexendo sempre. Acrescente 200ml de água, tampe a panela e deixe cozinhar por 1 hora em fogo baixo. Se necessário, acrescente mais água ao longo do cozimento.
Depois de 1 hora de cozimento, junte as amêndoas e mexa.
Lave bem os figos e corte-os em 4. Numa frigideira, derreta 1 colher (sopa) de manteiga, junte a colher (sopa) de mel restante e os figos. Cozinhe por 5 minutos. Junte-os ao cozido de cordeiro, ponha a pitada de açafrão, mexa delicadamente e deixe cozinhar por mais 30 minutos, sempre em fogo baixo.
Na hora de servir, pique muito bem o coentro e salpique por cima. Coma com o couscous, preparado conforme as instruções da caixa (acrescente 1 colher (sopa) rasa de manteiga ao final do preparo).
Mais receitas maravilhosas com couscous Ferrero?
Clique aqui que você chega lá.
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Quinta-feira, Outubro 07, 2004
A receita abaixo eu tirei de um site francês e achei muito legal. É um falso tabule porque não vai o tradicional trigo para quibe, o que torna a receita mais light. Também é uma maneira de comer a couve-flor crua, bem inusitado. Ainda não testei, mas está na minha lista!
TABULE FALSO DE COUVE-FLOR
(6 a 8 pessoas)
- 1 couve-flor (cerca de 700g)
- 1 maço de hortelã
- 1 maço de salsinha
- 1 maço de coentro
- um pouco de cebolinha
- suco de 2 limões
- 1 cebola pequena picada
- 200 g de tomate em cubos pequenos
- 100 a 150ml de azeite
- 80 g de uvas passas
- sal, pimenta
- 50 g de pinoles picados (opcional)
Lave bem a couve-flor e utilize somente os buquês. Pique-os o mais miúdo possível (dá pra fazer no processador, na função pulsar). Pique muito bem a salsinha, o coentro e a hortelã. Misture todos os ingredientes, com exceção dos pinoles. Deixe curtir na geladeira por 6 horas no mínimo. Junte os pinoles 1 hora antes de servir.
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Dezembro de 2004
