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Segunda-feira, Outubro 31, 2005


RALOUIM ?!? SÓ SE FOR COM CARNE SECA !

PORQUE HOJE É DIA DO SACI !!!




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Terça-feira, Outubro 18, 2005


A tal costelinha do Outback
Uma vez a Erika respondeu um questionário aqui, falando que fez uma costelinha igualzinha à do Outback. Por conta disso, vira e mexe me escrevem para pedir a receita.

Enfim, a tal da costelinha faz sucesso e por isso deixo a receita aqui para todos se deliciarem. Não provei, mas tenho certeza de que é uma delícia! Bom apetite!


COSTELINHAS COM MOLHO BARBECUE (OUTBACK)
2 kg costelinhas de porco aferventadas em água quente

Molho
1 colher (sopa) óleo
2 colheres (sopa) cebola picada
½ xícara (chá) açúcar mascavo
½ xícara (chá) vinagre branco
2 colheres (sopa) molho inglês
2 xícaras (chá) catchup
1 folha de louro
1 colher (sopa) chilli em pó
½ xícara (chá) água
sal e pimenta-do-reino a gosto

Espalhe sal por toda a carne e coloque para ferver por 5 minutos em um panela com bastante água quente. Escorra a água, arrume as costelinhas em uma assadeira, cubra com papel alumínio e leve ao forno baixo por 40 minutos. Em uma panela, refogue a cebola no óleo, acrescente o açúcar mascavo e o vinagre e deixe o açúcar dissolver. Acrescente o molho inglês, o catchup, o louro, o chilli em pó e a água e cozinhe por 10 minutos ou até o molho engrossar. Tempere com sal e pimenta-do-reino, coe e reserve. Após os 40 minutos retire as costelinhas do forno, retire o papel alumínio e pincele com o molho. Aumente a temperatura do forno, asse as costelinhas por mais 10 minutos, pincele novamente com o molho, asse mais 5 minutos e repita mais uma vez esta operação. Sirva com mais molho à parte.




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Sexta-feira, Outubro 14, 2005


Pra que comprar se eu posso fazer em casa?
Esse é o meu lema com conserva de pepino. Não que eu não goste das conservas compradas. Não é isso. Mas fazer em casa traz muita satisfação, principalmente porque você sabe a procedência dos ingredientes, sabe que não usou conservantes e sabe que, de quebra, economizou alguns tostões.

Na verdade, conservas não têm receitas exatas. Você pode usar milhares de temperos diferentes. Eu mesma faço de uma maneira diferente a cada vez. Mesmo assim, deixo aí uma dica de como fiz a minha última conserva. Inovações e criatividade são sempre bem-vindas.


CONSERVA DE PEPINO

500g de minipepinos (próprios para conserva)
1 ou 2 dentes de alho
1 pitada de orégano
1 folha de louro
3 cravos
1 colher (chá) cheia de sal
1 colher (chá) de açúcar
vinagre de arroz (é mais suave) quanto baste

Numa panela grande, ponha água para ferver. Assim que levantar fervura, ponha os pepinos. Quando voltar a ferver, conte 3 minutos se gosta de pepininhos mais crocantes, ou 5 minutos se prefere que fiquem mais macios.

Escorra e ajeite-os num vidro previamente escaldado com água fervente. O vidro tem que ter uma boa vedação. Se a tampa não for muito boa, ponha um filme plástico entre a tampa e o vidro, como se fosse um veda-rosca.

Ponha os temperos e complete com vinagre até um pouco menos da metade do vidro. Complete o restante com água filtrada até cobrir os pepinos. Agite o vidro para que os temperos se misturem bem e guarde em geladeira. Deixe curtir por pelo menos uma semana antes de comer.

Outras opções de tempero: pimenta-do-reino em grãos, sementes de mostarda, alecrim, cebola, e por aí vai.

Uma observação: se não encontrar o minipepino, pode usar o pepino japonês mesmo (aquele que não se usa tirar a casca). Se escolher essa opção, passe os pepinos na água fervente só por uns segundos. Não é pra deixar cozinhar.

Outra observação: esse método de escaldar e depois deixar curtir no tempero pode ser usado pra fazer outras conservas. Você pode substituir o pepino por couve-flor, nabo, minicenouras, beterraba, minicebolas etc. Vale observar que cada legume tem uma consistência. Assim, o que muda é o tempo que leva pra escaldar. Para legumes mais macios, passe-os somente pela água fervente por alguns segundos. Para legumes mais duros, deixe aferventar um pouco mais. O importante é não deixar os legumes muito moles.

A última: fala a verdade, os pepinos não ficaram lindos na foto?! Isso é que é ser fotogênico!




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Quinta-feira, Outubro 13, 2005


Comida de todo dia
Comida de todo dia é bom porque faz a gente se sentir em casa. Por isso mesmo, resolvi postar esta receita que é ótima por ser básica e simples, mas muito saborosa.

Ultimamente ando sem tempo de fazer nada, uma mescla de deprimida, estressada e cansada. A terapia das panelas faz falta. Aí, quando sobra um tempinho, como no feriadão de ontem, sempre é reconfortante fazer uma comidinha bem caseirinha.


FRANGO ASSADO NA CERVEJA
4 conjuntos de coxa e sobrecoxa
1 lata de cerveja
1 cebola
3 dentes de alho
1 colher (sopa) de mostarda
1 colher (sopa) de gengibre ralado
sal e pimenta-do-reino a gosto

Na véspera, rale a cebola (ou corte em pedaços minúsculos) e pique muito bem os dentes de alho. Misture todos os outros ingredientes, envolva os pedaços de frango nesse tempero e guarde numa vasilha fechada, dentro da geladeira. Eu não uso vasilha, ponho tudo num saquinho para freezer e fecho bem. É mais prático e os pedaços ficam bem envolvidos no tempero.

Deixe a carne dormir nessa marinada e, no dia seguinte, unte uma fôrma com um pouco de óleo. Ajeite os pedaços de frango com a pele pra baixo e despeje o tempero. Leve ao forno alto até que a parte superior do frango doure. Retire a fôrma do forno, escorra o líquido, mas deixe um fundinho para que a fôrma não fique totalmente seca. Vire os pedaços de frango com a pele para cima e leve ao forno até ficar bem dourado e com a pele crocante.

Eu servi com arroz branco, salada de beterraba com maçã e vagem refogada com curry. Detalhe: se você não tiver problemas de colesterol alto, se permita o pecado de comer a pele crocante. É uma maravilha!




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Quarta-feira, Outubro 05, 2005


HOW TO BE A DOMESTIC GODDESS*

A maioria dos homens tem dificuldade em assumir que um outro homem é bonito, charmoso ou qualquer coisa do gênero. Nós, mulheres, talvez até achemos isso engraçado, já que admitir a beleza alheia não nos parece tarefa assim tão difícil ou penosa. Talvez não tenhamos tanto medo de comprometer nossa sexualidade. Enfim, cada lado dessa história tem sua graça e eu, estando do lado de cá, vou fazer minha confissão.

Há mulheres que considero bonitas. Há aquelas que acho charmosas. Outras, convenhamos, são lindíssimas. Mas só poucas, raras mesmo, são deusas. Entre esta última categoria estão Marilyn Monroe e suas saudosas formas arredondadas, Vera Fischer (que um dia já teve formas mais voluptuosas e agora deu de ser esquelética) e algumas outras que não vou ficar me esforçando para lembrar. Mas uma entre elas merece mais que a minha admiração. Merece meu respeito também. É Nigella Lawson. Inglesa, mas morena, apresentadora de TV, mas sem ser esquálida, mulher de estudos medievais que no entanto optou por escrever receitas e executá-las na telinha. Mais do que uma mera chef ou apresentadora, ela prega o bem-viver, pratos fartos, enfim, culinária da boa, coisa de mãe, amante e mulher de verdade. Tudo isso numa única pessoa só podia fazer dela uma domestic goddess, termo que passei a achar uma ótima definição do que gostaria de ter sido e não pude. Ainda. Mas quem sabe um dia...

E como isto aqui não é só um blog de blá-blá-blá, deixo uma receita da própria. Uma receita que, acho (não provei ainda!), deve ser um sinal de que a culinária realmente é uma criação divina.


SYLLABUB TURCO (Turkish Delight Syllabub)
12 colheres (sopa) de Cointreau (aprox. 175ml)
suco de 2 limões
8 colheres de açúcar de confeiteiro (aprox. 125g)
600ml de creme de leite fresco
2 colheres (sopa) de água de rosas
2 colheres (sopa) de água de flor de laranjeira
2 colheres (sopa) de pistache finamente picados

Misture o Cointreau, o suco de limão e o açúcar numa vasilha grande (de preferência a da batedeira) e misture até que dissolva o açúcar. Acrescente o creme de leite fresco aos poucos, até que misture por completo. Bata com a batedeira e, quando começar a ficar mais grosso, acrescente a água de rosas e a água de flor de laranjeira. Bata novamente até que a mistura fique leve e aerada, em consistência de picos firmes. Coloque colheradas do syllabub em copinhos individuais e salpique o pistache por cima. Leve à geladeira até a hora de servir.

* How to be a domestic goddess é o título original do livro de Nigella Lawson, ainda sem tradução no Brasil.




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Segunda-feira, Outubro 03, 2005


COZINHA TAMBÉM É LUGAR DE NOSTALGIA
Acabei de fazer uma visita virtual à Revista da Folha e, claro, fui direto à seção "Comida". Ao chegar lá, dei uma olhada rápida no assunto e nos títulos das receitas. O tema era azeite de dendê e os nomes das receitas eram os seguintes:

- Crepe de siri com salada verde e molho de dendê picante
- Ensopado de camarões com papaia verde e arroz de coco
- Vermelho guaiúba com crosta de castanha de caju acompanhado de purê de batata-doce e vinagrete de dendê

Não menosprezando o chef nem as receitas, que realmente devem ser deliciosas, de repente tive um estalo de assombro diante de nomes tão extensos e pomposos. E mesmo sabendo disso há muito tempo, só agora é que me dei conta que os nomes-fantasia das receitas estão fora de moda. E fiquei triste. Fiquei triste porque imediatamente me lembrei de nomes como Bolo Formiguinha, Torta Três Pingos, Belle Cake, Cueca Virada e vi que a atividade de batizar receitas com nomes, digamos, fictícios foi decididamente descartada.

Bolo Formiguinha agora é Bolo ao Leite com Salpicado de Granulado de Chocolate Meio Amargo.

Torta Três Pingos é Base para Torta Ordinária de Liquidificador com Recheio a Escolher.

Belle Cake virou Panquecas Soufflées ao Aroma de Fava de Baunilha das Florestas do México.

Cueca Virada (essa então!) foi censurada e se transformou em Tiras de Pâte [falar "massa" é feio!] Aromatizada com Água de Flor de Laranjeira Fritas em Huile Chaud ["óleo quente" é mais feio ainda! Dica: troque por expressão estrangeira] com Polvilhado de Açúcar e Canela

Socorro!

O momento mágico e criativo de "batizar" uma receita foi substituído por um longo e penoso título que explicita ingredientes, procedimentos e preparos. O elemento surpresa por trás de um nome hermético foi abolido por completo. Já sabemos exatamente o que é a receita por seu título. A descoberta, o jogo de palavras, o duplo sentido, o afeto e a metáfora foram marginalizados e deram lugar à clara e asséptica nomenclatura da nova gastronomia.

Bolinho de Chuva, Toucinho do Céu, Biribinha, Espera Marido, Mané sem Jaleco, Escondidinho, Batida Suor de Virgem (essa é ótima!), Bolo Marta Rocha, Casadinho ... nunca mais. Pra mim, eles deixarão muita saudade.




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