Domingo, Julho 30, 2006
Se você não pode com seu inimigo...
... junte-se a ele! Foi nisso que pensei quando resolvi fazer esta conserva. Explico: no supermercado onde faço compra, é quase regra encontrar só tomates verdes, justamente eu que amo tomates madurinhos. Bom, um dia resolvi me vingar de sina tão triste e fiz estes Picles de Tomates Verdes (tirei a receita do livro Conservas, de Oded Schwartz). Pode-se fatiar os tomates e colocar no lanche, ou picá-los e compor uma salada. Divertido.
PICLES DE TOMATES VERDES
1kg de tomates verdes
uns ramos de manjericão fresco
2 a 3 folhas de louro
1 ½ colher (sopa) de sementes de mostarda
1 colher (sobremesa) de pimenta-do-reino em grãos
4 a 5 cravos
4 colheres (sopa) de açúcar ou mel (usei açúcar)
1 colher (sopa) de sal
750ml de vinagre de arroz
350ml de água filtrada
Com um palito de madeira, faça furos nos tomates. Coloque-os dentro do vidro esterilizado com as ervas e as especiarias.
Numa panela (de preferência de inox), misture o vinagre, a água, o açúcar (ou mel) e o sal. Leve ao fogo e deixe ferver durante 5 minutos. Desligue o fogo e deixe esfriar um minuto.
Despeje o vinagre quente dentro do vidro. Se o líquido não for suficiente para cobrir os tomates, acrescente mais vinagre frio. Vede bem e deixe curtir por, no mínimo, 1 mês, mas ficam melhores depois de 2 a 3 meses.
Obs.: a receita original manda colocar 1 litro de vinagre para 125 ml de água. Obviamente, assim a conserva tem maior durabilidade e garantia de que não vai estragar. Mas acho que fica muito azedo e prefiro reduzir um pouco o vinagre. Para garantir, mantenho o vidro na geladeira, apesar de achar que não seja necessário.
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Quarta-feira, Julho 26, 2006
Há milhares de receitas de Guacamole no mundo. É um prato típico mexicano, com quantidades que variam muito. Aqui vai a minha receitinha. Ponho mais tomate que o normal, a pedido do meu marido (ele não curte o "puro abacate"). Às vezes é bom agradar... Mas eu também acho que fica bom assim. Também dou um toque com um pouco de manjericão e excluo o coentro, que odeio! Mas se você quiser fazer uma preparação mais típica e não tiver problemas com essa erva, coloque-a.
Fica muito refrescante e é um bom acompanhamento para petiscos ou para uma bela salada de folhas. Agora que estamos em pleno verão em São Paulo, nem se fala...
GUACAMOLE (Patê salgado de abacate)
1 abacate médio maduro
2 tomates picados em cubinhos
½ cebola picada em cubinhos
1 dente de alho ralado ou espremido
suco de 1 limão
2 colheres (sopa) de salsinha picada
1 colher (sopa) de manjericão picado
1 fio de azeite
sal
molho de pimenta a gosto (ou 1 pimenta dedo-de-moça sem sementes picada)
O modo de fazer é o mais complicado: amasse grosseiramente o abacate e misture os demais ingredientes. Afe!
Deixe curtir na geladeira pra ficar bem saboroso e fresquinho. Se for fazer na véspera (fica ótemo!), fica a dica da minha amiga Marilena: para que não escureça, deixe dentro do Guacamole o caroço do abacate. Se é científico ou não, não sei, mas funciona. Logicamente, tire na hora de servir.
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Domingo, Julho 23, 2006
Esta receita foi publicada na revista Cláudia Cozinha do mês passado. É uma delícia e muito fácil de fazer. Com sorvete de creme vira uma coisa insuportavelmente tentadora. Difícil é comer só um pedacinho!
Ah, vou colocar a receita original, mas eu diminuiria o açúcar para só 1 xícara. É suficiente.
A foto não fez jus ao sabor do brownie, mas é que foi feita às pressas, entre uma mastigada e outra...
BROWNIE DE CAFÉ
100g de chocolate meio amargo picado
½ xícara de manteiga gelada em cubinhos (100g)
2 ovos
1 ¼ de xícara de açúcar
1 colher (chá) de essência de baunilha
3 colheres (sopa) de café solúvel
2 colheres (sopa) de licor de café (usei conhaque)
¾ de xícara de farinha de trigo
½ colher (chá) de fermento em pó
Derreta o chocolate e a manteiga, juntos, no microondas ou numa panela, sem deixar ferver, até virar uma mistura lisa e homogênea. Deixe amornar.
Preaqueça o forno a 180ºC. Unte uma fôrma quadrada de 21cm de lado com manteiga e farinha. Eu usei papel manteiga e achei que o resultado foi bom. Neste caso, unte a fôrma com manteiga, ponha o papel e unte-o com manteiga e farinha também.
Numa tigela, bata com uma colher de pau os ovos, o açúcar, a baunilha, o café e o licor (ou conhaque) até engrossar. Junte a mistura de chocolate com manteiga e mexa bem. Em outra tigela, mistura a farinha e o fermento. Junte à massa, batendo com a colher até misturar bem. Despeje na fôrma e asse por 20 minutos ou até que, enfiando um palito no centro, ele saia úmido. Deixe esfriar na fôrma, corte em pedaços e sirva.
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Quarta-feira, Julho 19, 2006
Antes da receita, gostaria de deixar aqui registrada a minha imensa tristeza pelos ataques ao Líbano, um país que admiro e que sonho em conhecer um dia. A riqueza de uma cultura e a generosidade de um povo não podem ser assim violentadas pela estupidez da guerra. Meus sentimentos de desolação aumentam a cada dia e só posso expressar, por meio deste humilde blog, minha solidariedade a todos que acham que guerra é uma coisa tão irracional quanto surreal.
Enfim...
Outro dia resolvi fazer um bolo de cenoura, mas com algumas trocas. No lugar de 1 xícara de farinha, pus aveia. Reduzi o óleo e troquei o açúcar comum pelo mascavo e ainda acrescentei algumas especiarias. Ficou bãããão, bem macio e molhadinho. Nem fiz cobertura, acho que nem precisava.
BOLO DE CENOURA COM AVEIA E MASCAVO
3 cenouras médias em pedaços
¾ de xícara de óleo
3 ovos
1 xícara de farinha de trigo
1 xícara de aveia em flocos
1 ½ xícara de açúcar mascavo (sem apertar na xícara)
1 colher (sopa) de fermento
1 colher (chá) de canela em pó
1 colher (chá) de noz-moscada ralada
No liquidificador, bata os ovos, o açúcar mascavo, as cenouras e o óleo até ficar homogêneo. Numa tigela, misture a farinha, a aveia, o fermento e as especiarias. Aos poucos, junte o líquido aos ingredientes secos, mexendo sempre. Asse em fôrma untada com manteiga e farinha, em forno médio preaquecido, até que enfiando um palito este saia limpo.
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Segunda-feira, Julho 17, 2006
Semana passada voou e eu nem vi. Tô com uma reforma da urgência em casa e isso tem me tomado o tempo, o ânimo e a disposição : (). Ninguém merece. Mas já estamos na reta final. Ufa!
No fim de semana fiz este Babaganuch, que é um prato árabe que eu amo. É uma espécie de patê de berinjela, só que com um gostinho de defumado da chama do fogão. É rápido de fazer e dá um antepasto e tanto. Pode ser comido como ou com salada ou com pão.
BABAGANUCH (Patê de berinjela tostada)
2 berinjelas médias
3 colheres (sopa) de tahine*
suco de 1 limão
2 dentes de alho ralado ou espremido
1 colher (sopa) de azeite extravirgem
2 colheres (chá) de zatar*
1 colher (chá) de pimenta síria*
sal
Lave bem e tire os pedúnculos das berinjelas. Espete-as com um garfo e leve diretamente à chama (alta) do fogão, virando às vezes, até ficarem com toda a casca bem tostada, enrugada e escura. O processo leva em média 8 minutos para cada berinjela. Não esquente se sair um pouco de fumaça ou soltar um pouco de líquido. É normal.
Deixe as berinjelas amornarem um pouco e tire a casca, que deve estar meio seca e sair facilmente. Algumas pessoas recomendam tirar a casca embaixo da torneira aberta. Realmente, é mais fácil, mas eu acho que tira um pouco o sabor do defumado. Prefiro passar as mãos umedecidas em água e alisar as berinjelas até que fiquem limpas dos pedacinhos de casca que ainda sobrarem.
Amasse as berinjelas já limpas com um garfo. Junte todos os temperos e mexa bem. Leve à geladeira para refrescar e curtir o tempero. Se quiser, sirva com salsinha, cebolinha ou hortelã salpicada por cima e um generoso fio de azeite extravirgem para finalizar.
* A pimenta síria, o tahine e o zatar são temperos típicos da culinária árabe. São fáceis de encontrar em grandes supermercados ou empórios especializados. Na falta do zatar e da pimenta síria, use um pouco de pimenta-do-reino comum, misturada com uma pitada de canela. Já o tahine é ingrediente essencial do Babaganuch. Se não tiver facilidade em encontrá-lo, substitua-o por maionese, creme de leite ou requeijão - isso descaracteriza o prato típico, mas cria um novo também saboroso. Às vezes, não temos outro recurso que não a livre adaptação...!
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Domingo, Julho 09, 2006
Almoço vegeteba de domingo
Este foi meu almoço de hoje. É tão simples de fazer que tenho até vergonha de dar a receita, mas o sabor é incrível, o que me redime da culpa de postá-la aqui.
O que importa neste assado é a variedade. Eu também não dispenso a batata doce e a batata comum que dão um toque especial e "sustância" ao prato. Os demais legumes você escolhe conforme seu gosto e conforme o que tiver na geladeira. Desta vez até jiló eu pus. Pra quem gosta, é ótimo. À legião dos que odeiam esse ingrediente, eu sugiro não usar (óbvio).
Claro que o prato pode ser um acompanhamento para um belo assado, ou uma massa. Outro dia eu fiz com cubos de peito de frango e ficou ótimo, mas às vezes canso de comer carne e resolvo fazer um rango vegê. Leve e prático.
LEGUMES ASSADOS DE DOMINGO
Rende cerca de 4 porções
4 batatas doces
2 batatas médias
1 pimentão vermelho
1 abobrinha
4 jilós
400g de abóbora
250g de miniberinjelas
3 cebolas
5 dentes de alho
3 colheres (sopa) de azeite
sal
pimenta-do-reino
orégano
Lave bem todos os ingredientes. Descasque a abóbora, as cebolas, a batata doce e os dentes de alho (eu deixo a batata e a abobrinha com a casca). Corte os legumes em cubos grandes e as cebolas ao meio. Dê um talho no sentido do comprimento nas miniberinjelas. Deixe os dentes de alho inteiros. Coloque tudo numa vasilha grande, salgue, apimente, ponha orégano a gosto e regue com o azeite. Com as mãos, mexa bem para envolver tudo com o tempero.
Unte levemente uma fôrma grande, ponha os legumes e asse em forno alto preaquecido por cerca de 1h30. Mexa a cada 30 minutos. Está pronto quando os legumes estiverem cozidos e ligeiramente tostados.
Dicas: se não tiver miniberingelas, use 1 berinjela cortada em cubos grandes. A quantia de azeite é só uma sugestão. Se quiser pôr mais, fica melhor ainda (eu manero por causa das calorias). Para servir, você pode ralar grosseiramente queijo parmesão e polvilhar sobre o assado. Fica diviiiiiiiino!
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Quinta-feira, Julho 06, 2006
Aproveitamento total
Ultimamente tenho tentado aproveitar coisas que normalmente jogamos fora, como cascas e talos de legumes. Outro dia comprei um belo maço de beterraba na feira. Com as folhas fiz uma farofinha, refogando como se fosse couve (fica muito parecido) e depois acrescentando um pouco de farinha de mandioca flocada. Achei muito bom. Com os talos que sobraram, fiz este pão. A receita, que achei numa revista antiga, mandava fazer com 2 xícaras de talos e folhas, mas usei só os talos. Ficou gostoso, mas confesso que o gosto fica um pouco acentuado quando o pão ainda está quente, recém-saído do forno. Melhorou muito no dia seguinte, e o pão ficou macio por uns 3 dias.
PÃO DE TALOS DE BETERRABA
2 xícaras de talos de beterraba
1 xícara de caldo de legumes
1 ovo
½ xícara de água
1 colher (sopa) de açúcar
1 tablete de fermento biológico fresco (ou 1 envelope de fermento biológico seco)
3 colheres (chá) rasas de sal
3 colheres (sopa) de óleo
5 ½ xícaras de farinha de trigo
Bata no liquidificador os talos com o caldo de legumes, a água e o ovo. Transfira para uma tigela e junte o açúcar, o óleo, o sal e o fermento. Misture bem. Junte metade da farinha, mexa bem, cubra a vasilha e deixe descansar em local protegido (dentro do forno desligado, por exemplo) até dobrar de volume (de 1 hora a 1h30). Passado esse tempo, misture a farinha restante, mexa bem com uma colher de pau e distribua a massa em 2 fôrmas de bolo inglês previamente untadas com óleo. A massa fica meio mole mesmo, não estranhe. Deixe crescer por mais 30 minutos. Preaqueça o forno em temperatura média e asse os pães até dourarem.
Dica: se quiser, polvilhe o pão com sementes de gergelim antes de assar.
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Sábado, Julho 01, 2006
Taí uma coisa que curto fazer: conservas, compotas, chutneys. Acho maravilhoso o poder do fogo de transformar os alimentos. Este chutney ficou muito bom e é um acompanhamento clássico para lombo ou tender assados. Confesso que também adoro comer com pão, como petisco, ou com queijo, ou só de colherada mesmo.
São 4 sabores numa mesma mordida: o doce, o picante, o azedo e o salgado. TUDO menos o amargo, porque de amargo já chega o fim do jogo de hoje. Adeus, sonho do hexaaaaaaa. :´ (((
CHUTNEY DE ABACAXI
1 abacaxi grande maduro em cubinhos
1 maçã sem casca em cubinhos
1 1/2 xícara de vinagre
1 ¼ xícara de açúcar
2 colheres (sopa) de gengibre ralado
4 dentes de alho espremidos
1 colher (sopa) rasa de sal
1 cebola grande picada
½ xícara de uva passa
1 colher (sopa) de semente de mostarda
1 colher (chá) de curry
Numa panela, misture todos os ingredientes. Quando levantar fervura, abaixe o fogo e cozinhe por 35. Aumente o fogo para médio e cozinhe, mexendo às vezes, por 20 a 25 minutos, até o caldo engrossar. Coloque ainda quente em vidros herméticos previamente esterilizados* e aquecidos e feche bem. Guarde em geladeira.
Se quiser pasteurizar (assim dura até 1 ano fora da geladeira), coloque os vidros ainda quentes envoltos em panos (para não se chocarem) numa panela e cubra até 2,5 cm acima da tampa com água quente. Quando levantar fervura, conte 10 minutos. Retire da água e deixe esfriar. Isso cria um vácuo no vidro.
* Para esterilizar os vidros, lave-os bem com água e sabão. Forre uma fôrma com uma folha de papel-toalha, ponha os vidros com a boca para cima e leve ao forno preaquecido a 180ºC por 10 minutos. Para esterilizar as tampas, mergulhe-as em água fervente e desligue o fogo. Deixe por 10 segundos e retire. Retire os vidros do forno e encha-os ainda quentes, com o chutney também quente.
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Cozinho por prazer. Sempre ao som de rock. Sou CCR (Colecionadora Compulsiva de Receitas), glutona, gulosa e gourmet. Brigo com a balança. Gosto de comida farta, de encher a vista e dar água na boca. Valorizo as artes antigas de fazer massa, pão, licor e comida de casa e também acredito nas inovações, desde que sejam gostosas. Sou contra as restrições alimentares e o preconceito culinário. Do bom restaurante ao boteco, da comida de rua à comida caseira, do exótico ao arroz com feijão, se for saboroso, eu topo.
Junho - 2006