Esse é o Obar,
chef cuisinier do Depósito de Receitas Damasco.



Fome? Barriga roncando? Salivação abundante? Hei, você está no Depósito de Receitas Damasco! Entre e sirva-se!


Lara, a dona da cozinha
Cozinho por prazer. Sempre ao som de rock. Sou CCR (Colecionadora Compulsiva de Receitas), glutona, gulosa e gourmet. Brigo com a balança. Gosto de comida farta, de encher a vista e dar água na boca. Valorizo as artes antigas de fazer massa, pão, licor e comida de casa e também acredito nas inovações, desde que sejam gostosas. Sou contra as restrições alimentares e o preconceito culinário. Do bom restaurante ao boteco, da comida de rua à comida caseira, do exótico ao arroz com feijão, se for saboroso, eu topo.


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Terça-feira, Outubro 31, 2006


DIA DO SACI
Antes, um dedo de prosa e algumas histórias de saci

Já faz um tempo que passei a acreditar em saci. Foi desde que uma amiga lá do sul de Minas, com quem eu dividia uma república de estudantes, chegou dizendo que, quando as coisas somem em casa e não conseguimos achar, é coisa do saci. Ela tinha perdido não lembro o quê, e veio com essa história. Disse ainda que tinham ensinado pra ela que era necessário prender o saci no batente na porta, como que colocando um prego imaginário, pra que ele devolvesse o objeto. Depois, era só soltá-lo e tudo voltava ao normal (pelo menos até a próxima estripulia).

De imediato, achamos que era a melhor coisa a fazer. Ela prendeu o saci na porta e logo achou o objeto. Passou um tempo e ela se esqueceu de livrar o saci da porta. Até que um dia, ela começou a ouvir um assobio toda vez que passava em frente à porta. Veio me contar, impressionadíssima: "Laaaaara, me esqueci de tirar o saci da porta e agora toda vez que passo lá ouço um assobio!". E eu: "Então libera o saci, oras!". Isso feito, o saci parou de assobiar e nós passamos a ter certeza de que o ser existia MESMO.

Já perdi muita coisa dentro de casa e saquei que era coisa do saci. Primeiro, você procura até cansar, em todos os lugares. Aí, desiste. Um tempo depois, você encontra o objeto exatamente no lugar onde havia procurado várias vezes. Pode contar: isso é coisa do saci. Só que, se você não se liga, o saci deixa a coisa escondida por um tempão. Já cheguei a ter um brinco e um caderno escondidos pelo saci por quase um ano! Morri de procurar, até que um dia apareceram no lugar mais óbvio. Maldito saci!

A tática é: quando perceber que a coisa sumiu e tem que estar em casa, ou seja, foi coisa do saci, xingue bastante o saci, dos palavrões mais feios que conhecer, em voz alta. Se o seu saci for já meio domesticado, ele devolverá logo. Mas se ele for novo, rebelde e selvagem, os xingos não vão adiantar. O negócio é prendê-lo no batente da porta. E não se esquecer de soltar depois, hein!

Uma coisa é certa, toda a vez que contamos uma história de saci a alguém, estamos criando um. Assim, você que está aí lendo acabou de ganhar um. Ninguém mandou ouvir (ou ler) o causo! Agora se cuide.

Bom, tô contando essas histórias verídicas pra lembrar que hoje é DIA DO SACI, nosso querido moleque arteiro e levado. Já faz um tempo que nós, saciólogos, elegemos a data pra homenagear o saci. Pessoas de todo o Brasil, hoje, estão comemorando. Se você se interessou, visite a página da Sosaci (Sociedade dos Observadores de Saci) e a Associação Nacional dos Criadores de Saci. Porque Raloim de cu é rola! E tenho dito.

E, em homenagem ao saci, publico aqui uma comida que ele AMA: farofa de banana nanica. Se o seu saci for vegetariano, sirva a ele com um belo arroz e feijão e uma couve refogadinha. Ele vai comer até a barriguinha estourar. Mas se o seu saci não ligar de comer uma carninha, sirva a ele com uma bela carne de panela e, talvez, um ovão frito. Eita!


FAROFA DE BANANA NANICA

2 bananas nanicas maduras em rodelinhas
1 cebola picadinha
2 dentes de alho picadinhos
1 colher (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de óleo
2 xícaras de farinha de mandioca flocada (tipo biju)
sal e pimenta do reino

Refogue o alho e a cebola na manteiga e no óleo até murcharem. Junte as bananas e refogue rapidamente (não podem desmanchar). Salgue e apimente e acrescente a farinha aos poucos, mexendo sempre. Sirva quente ou fria.



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Duas semanas de correria...
... o que significa pouco ou nenhum tempo para cozinhar. No entanto, o período me trouxe a oportunidade de fazer algumas reflexões sobre o ato de comer. Explico: semana retrasada estive num seminário promovido pelo Sesc-SP sobre Cultura e Alimentação. Foi muito interessante saber que a alimentação está deixando de ser vista como "assunto menor" e, aos poucos, está sendo reconhecida como elemento essencial da identidade cultural de um povo.

A experiência que tive semana passada confirmou isso. Fiz entrevistas com estrangeiros para um exame nacional de língua portuguesa. A intenção era avaliar o nível do português deles e oferecer um certificado. Mas, antes da entrevista, eles deveriam preencher um questionário geral. Foi impressionante observar como a comida aparece em cerca de 90% das respostas à pergunta sobre o que eles mais sentem falta de seu país.

Do mundo lá fora para a blogosfera, aqui onde estamos agora, foi um pulo! Estamos todos ligados por nossas identidades alimentares e também por nossas curiosidades sobre o novo e o diferente. Comer e saber o que se come.

Enfim, muitos pensamentos... e uma só receita: a salada de músculo da minha vó (olha eu na recaída-comida-de-vó de novo!). É muito boa e faz bastante sucesso aqui em casa, embora deva confessar que quando eu era criança não curtia muito. Paladares infantis mudam, ainda bem.


SALADA DE MÚSCULO

Para o cozimento
500g de músculo cortado em cubos
1 cenoura cortada em pedaços grandes
1 cebola pequena em cubos grandes
2 dentes de alho inteiros
1 folha de louro
1 colher (sopa) de orégano
1 colher (sobremesa) de alecrim
1 xícara de vinho branco seco
1 pedaço de cerca de 25g de bacon defumado
sal e pimenta

Para o tempero
½ cebola cortada bem miúda
6 a 8 azeitonas picadas
uma erva de sua escolha (usei orégano)
azeite
vinagre ou aceto balsâmico
sal e pimenta

Numa panela de pressão, misture os ingredientes para o cozimento, complete com água até que os pedaços de carne fiquem imersos e cozinhe por 1 hora (conte depois que a panela começar a chiar). Terminado o tempo de cozimento e a pressão da panela, abra e "pesque" os pedaços de carne. Numa vasilha, tempere a carne ainda quente. Leve à geladeira até ficar fria e com o tempero curtido.

Dica: não jogue fora o líquido do cozimento, pois é um legítimo caldo de carne. Congele-o e use outro dia para fazer uma sopa, molho ou algo do gênero. Mas, antes, recomendo que o desengordure. Para isso, coloque o caldo já frio na vasilha em que for congelá-lo. Deixe (sem a tampa) por 20 minutos no freezer: as bolinhas de gordura se solidificarão e ficarão na superfície. É só retirá-las com uma colher, tampar e congelar.




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Domingo, Outubro 22, 2006


Tenho recebido muitos comentários carinhosos de pessoas de longe e de perto, das que chegam aqui pela primeira vez, de outras que passam sempre, mas que só deixam às vezes uma mensagem, e também dos fiéis amigos blogueiros. Um blog não valeria a pena se não fosse por isso. A interação é nosso pagamento em ouro. Se não desejássemos a presença das pessoas, faríamos um site, e não um blog com espaço tão querido para os comentários.

Por tudo isso que vocês, meus visitantes, têm me proporcionado, publico hoje mais do que uma receita; deixo uma frase para não nos esquecermos do verdadeiro sentido de estarmos juntos:

"Não nos sentamos à mesa para comer, mas para comer junto."
Plutarco

Obrigada por se sentarem à mesa comigo!

Lara




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Segunda-feira, Outubro 16, 2006


Outro dia fiquei com vontade de fazer um manjar branco, mas não tinha a ameixa em calda para acompanhar. Como não tenho muito problema com improvisações, resolvi fazer uma calda de manga, que é o que eu tinha na geladeira. Gostei do resultado, porque ficou refrescante, bem tropical.

Uns amigos vieram almoçar em casa e, quando me lembrei de tirar a foto, o manjar já tinha sido atacado! E eu: "Gente, gente, preciso tirar uma foto pra colocar no blog!". Aí todo mundo quis "sair na foto" com sua colher. Olha só o que virou.


MANJAR DE COCO COM CALDA DE MANGA

Para o manjar
1 litro de leite
6 colheres (sopa) de maisena
¾ de xícara de açúcar
1 vidro de leite de coco (200ml)

Para a calda
1 manga grande em cubinhos
4 colheres (sopa) de açúcar
1 xícara de água
3 pimentas-da-jamaica (opcional)

Manjar
Numa panela, ponha a maisena e vá acrescentando leite frio aos poucos, até que dissolva completamente. Junte o açúcar e mexa. Ligue o fogo e cozinhe, mexendo sempre, até engrossar. Desligue o fogo e junte o leite de coco. Despeje numa fôrma previamente molhada com água. Dica: deixe a fôrma molhada por alguns minutos na geladeira antes de despejar o manjar; isso facilita depois na hora de desenformar. Leva à geladeira por no mínimo 6 horas. Desenforme na hora de servir.

Calda
Separe metade da manga e bata no liquidificador com a água. Junte aos demais ingredientes, numa panela, e ferva por uns 10 minutos, ou até ficar no ponto desejado. Sirva gelada, por cima do manjar.




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Quinta-feira, Outubro 12, 2006


Resolvi publicar esta receita hoje em homenagem ao Dia das Crianças. Achei uma comida divertida. Não tenho filhos, mas a criança que reside dentro de mim também gosta dessas guloseimas...

A idéia do frango frito veio de uma receita que a Nigella Lawson deu em seu programa. Se não me engano, era de origem americana. Bom, tem cara. O milho cremoso é por minha conta mesmo.


FRANGO FRITO COM MILHO CREMOSO

Para o frango
1 kg de coxas e sobrecoxas de frango sem pele
1 litro de leite
2 cubos de caldo de galinha (opcional)
2 ovos
farinha de trigo
sal e pimenta
óleo para fritar

Para o milho cremoso
5 espigas grandes de milho verde
2 xícaras de leite (pode usar o do cozimento do frango)
1 cebola pequena picada
2 dentes de alho picados
1 colher (sopa) rasa de manteiga
1 colher (chá) de azeite
1 colher (sopa) cheia de requeijão
sal e pimenta
noz-moscada ralada a gosto

Para o frango
Cozinhe o frango no leite com os cubos de caldo até ficar macio. Se não gostar de caldo de galinha, salgue o leite para que frango fique temperado. Escorra e deixe amornar. Reserve o leite, se quiser, para o milho cremoso.

Numa vasilha, bata os ovos ligeiramente. Em outra, tempere a farinha com um pouco de sal e pimenta. Uma dica: use um saco de freezer para colocar a farinha e empanar os pedaços de frango. É mais prático. Passe os pedaços primeiro na farinha, depois no ovo e aí na farinha novamente. Frite em óleo quente até dourar.

Para o milho cremoso
Corte os grãos de milho das espigas. Meça 1 xícara de milho e bata no liquidificador com o leite. Passe por uma peneira e reserve. Refogue a cebola e o alho na manteiga com azeite até começarem a ficar transparentes. Junte os grãos de milho, tempere com sal e pimenta e refogue em fogo médio-baixo até ficarem macios. Se começar a grudar um pouco, vá pingando água. Junte o líquido batido no liquidificador e mexa até engrossar. Tempere com a noz-moscada e deixe cozinhar em fogo baixo por mais uns 3 minutos. Desligue e junte o requeijão. Sirva imediatamente com o frango frito.




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Domingo, Outubro 08, 2006


Já recebi algumas vezes e-mails de pessoas me perguntando como se faz para curar azeitonas e deixá-las em conserva. São pessoas que possuem oliveiras no quintal e não sabem o que fazer com a fruta quando o pé está carregado.

Há um tempo, comprei um livro muito interessante, chamado Artes Esquecidas, escrito por Lynn Alley, que diz que existem centenas de métodos de se curar azeitonas, mas que o mais simples e certeiro é curá-las em salmoura.

Não tenho oliveiras em casa, mas achei interessante colocar o processo aqui, a título de curiosidade culinária e também como uma fonte de informação para aqueles que têm a felicidade de colher azeitonas em seu quintal.


COMO CURAR AZEITONAS EM SALMOURA

Para iniciar o processo da salmoura, mergulhe as azeitonas já limpas em água fria e troque a água todo dia, por 10 dias. Para facilitar, use baldes plásticos com tampa. Coloque um prato sobre as azeitonas para fazer peso e deixá-las todas submersas (nessa etapa, não é necessário cobri-las) . Assim começa o processo de eliminação dos glicosídeos amargos das azeitonas. Observe as mudanças de cor e aroma

Passados os 10 dias, faça a solução de salmoura: adicione 1 xícara de sal não-iodado para cada 4 litros de água. Utilize essa solução em quantidade suficiente para cobrir as azeitonas. Renove essa solução semanalmente, por 4 semanas.

Depois, passe as azeitonas para uma salmoura mais fraca, onde devem ficar até serem consumidas. Essa solução deverá conter ½ xícara de sal não-iodado para cada 4 litros de água.

Quanto tempo leva esta última etapa, é difícil dizer. Lynn Alley diz que as dela levam de 2 a 3 meses para adquirir o sabor marcante que as caracteriza. Para saber, use seu paladar e olfato.

Armazene as azeitonas na salmoura mais suave, em local fresco, à sombra e mantenha-as cobertas. Com o tempo, pode surgir uma espuma sobre as azeitonas. Alguns dizem que isso acentua o sabor e tira o sabor amargo. A autora recomenda tirar a espuma. Use as azeitonas boas e elimine as que estiverem machucadas.




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Quinta-feira, Outubro 05, 2006


Receita boa para quem gosta de sabores agridoces. E apesar de o preparo da foto estar sem leite de coco (usei para fazer uma batidinha...hihihi), incluí esse ingrediente na receita. Com certeza, é o toque final necessário.


FRANGO FLAMBADO COM MOLHO DE MANGA

1kg de coxas e sobrecoxas de frango sem pele
2 dentes de alho picados
1 colher (sopa) de aceto balsâmico
2 colheres (chá) de curry
1 pau de canela
1 cebola
2 xícaras cheias de manga madura picada
1 colher (sopa) de açúcar mascavo
½ xícara de cachaça
½ xícara de água
1 vidro de leite de coco (200ml)
sal

Tempere o frango com o alho, o aceto, metade do curry e sal. Deixe tomar gosto por 30 minutos no mínimo. Refogue os pedaços junto com a canela num pouco de azeite até dourarem. Evite o fogo muito alto porque seca muito por fora e deixa cru por dentro; use fogo médio-baixo. Retire-os da panela e reserve.

Na mesma panela, ponha a outra metade do curry, junte a cebola e o mascavo e refogue rapidamente. Acrescente a manga e, quando começar a ficar macia, volte os pedaços de frango para a panela. Junte a cachaça e flambe (muita calma nessa hora porque faz o maior fogaréu). Ao apagar a chama, junte a água e deixe cozinhar até o molho ficar na consistência desejada. Acrescente o leite de coco, mexa e ferva por 3 minutos. Sirva imediatamente.




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Domingo, Outubro 01, 2006


Esta foi uma receita que me surpreendeu. Tava procurando alguma coisa pra fazer com inhame, um item que incluí na última cesta orgânica que comprei, mas que não sabia muito bem como usar. Pesquisei umas receitas, peguei um pouco de uma, um pouco de outra e saiu este nhoque delicioso. Preferi não deixar na consistência de enrolar e sim de pingar, pois achei que ficaria mais macio. Ficou ótemo!


NHOQUE DE INHAME AO SUGO

500g de inhame
500ml de leite
1 colher (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de azeite
1 pitada de sal
50g de queijo parmesão ralado
1 ovo
10 colheres (sopa) rasas de farinha de trigo

Para o molho
1 lata de tomate pelado (ou 5 tomates maduros sem sementes picados)
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
1 pitada de alecrim
orégano
sal e pimenta

Descasque o inhame embaixo da torneira aberta e vá pondo numa vasilha com água. Quando terminar, escorra e pique em pedaços graúdos, mais ou menos iguais. Cozinhe no leite, em fogo baixo, até que fiquem macios. Escorra e esprema ainda quente. Se tiver um processador, processe até virar um purê. Espere amornar e junte os ingredientes, com exceção da farinha. Mexa bem. Junte a farinha pouco a pouco, mexendo até ficar bem incorporada. Reserve.

Para o molho: refogue a cebola e o alho num pouco de azeite. Junte os tomates, tempere e cozinhe em fogo baixo até a consistência desejada.

Numa panela grande, leve bastante água a ferver com um pouco de sal. Com a ajuda de duas colheres de chá, faça bolinhas com o nhoque e jogue na água fervente. Quando subirem à superfície, retire-os com uma escumadeira. Quando terminar o processo, junte o molho e sirva com queijo parmesão ralado.




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